Fragilidade óssea de base genética: quando suspeitar e como diagnosticar
Resumo
A fragilidade óssea hereditária abrange um grupo amplo e heterogêneo de doenças que se manifestam por fraturas recorrentes, densidade mineral óssea normal ou reduzida, deformidades esqueléticas e comprometimento funcional variável. Com o avanço das técnicas de sequenciamento genético, especialmente os painéis de NGS, o sequenciamento de exoma e, mais recentemente, o sequenciamento de genoma, o espectro de entidades reconhecidas expandiu substancialmente, englobando condições envolvendo colágeno tipo I, via WNT, metabolismo do fosfato, mineralização óssea e função osteocitária. O reconhecimento clínico dessas doenças é desafiador, pois frequentemente imitam osteoporose idiopática ou secundária e podem cursar com poucos marcadores fenotípicos específicos, sobretudo em adultos. No entanto, sinais como fraturas de baixo impacto em idade jovem, desproporção entre densitometria e gravidade clínica, deformidades ósseas, perda dentária precoce, baixa estatura desproporcional, esqueléticas ou dentárias atípicas e história familiar sugestiva devem motivar investigação mais aprofundada, inclusive molecular. Esta revisão integra achados fisiopatológicos, clínicos e genéticos, explorando mecanismos de doenças como osteogênese imperfeita, osteoporose causada por mutações em WNT1, LRP5 e PLS3, hipofosfatasia e hipofosfatemias hereditárias. Discute-se ainda a abordagem diagnóstica contemporânea, o papel das tecnologias genômicas, implicações terapêuticas e o aconselhamento genético, com base em consensos e diretrizes internacionais recentes. A compreensão aprofundada das bases moleculares da fragilidade óssea permite manejo mais preciso e individualizado, além de contribuir para a detecção precoce, prevenção de complicações e orientação adequada das famílias, posicionando a reumatologia em interface cada vez mais estreita com a genética médica.
Unitermos
Genética médica; fragilidade óssea; osteogênese imperfeita; osteometabolismo; diagnóstico genético.Instituições: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), SP, Brasil; Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR, Brasil; Faculdade de Medicina de Maringá, UniCesumar, Brasil.
Correspondência: Paulo Victor Zattar Ribeiro, e-mail: [email protected].
Como citar este artigo: Ribeiro PVZ, Palaro LL, Perico AA. Fragilidade óssea de base genética: quando suspeitar e como diagnosticar. Rev Paul Reumatol. 2025 jul-set;24(3):51-61. DOI: https://doi.org/10.46833/reumatologiasp.2025.24.3.51-61.
Os autores não contaram com apoio financeiro.
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