Doença por depósito de pirofosfato de cálcio (CPPD): critérios de classificação, fenótipos clínicos e perspectivas terapêuticas
Resumo
Introdução: a doença por depósito de pirofosfato de cálcio (CPPD) é uma artropatia metabólica caracterizada pela deposição de cristais de pirofosfato de cálcio em cartilagens e tecidos periarticulares. É altamente prevalente em indivíduos acima de 65 anos e representa desafio diagnóstico e terapêutico por mimetizar diferentes manifestações osteoarticulares. O espectro clínico inclui formas assintomáticas, artrite aguda mono/oligoarticular, artrite inflamatória crônica poliarticular e osteoartrite associada, o que favorece diagnósticos e tratamentos inadequados. A heterogeneidade clínica e terminológica também dificultou, historicamente, a definição precisa da condição e a padronização de nomenclatura e classificação, comprometendo a comunicação médico-paciente e a comparabilidade entre estudos. Os critérios ACR/EULAR (2023) aprimoraram a classificação e, em 2025, o projeto G-CAN avançou na padronização da terminologia por meio de uma proposta de consenso, com potencial para orientar pesquisa e manejo conforme fenótipos clínicos. Objetivo: revisar particularidades clínicas, diagnósticas, classificatórias e terapêuticas das artropatias por depósito de pirofosfato de cálcio (CPPD). Métodos: revisão narrativa da literatura, com ênfase nos aspectos classificatórios segundo os critérios ACR/EULAR 2023 e na terminologia proposta pelo projeto G-CAN, descrevendo fenótipos clínicos e perspectivas terapêuticas na CPPD. Resultados: a CPPD é complexa, multifacetada e frequentemente subdiagnosticada, em parte pela sobreposição clínica com outras doenças reumáticas e pela falta histórica de padronização terminológica. Iniciativas recentes buscam uniformizar nomenclatura e classificação de fenótipos, desencorajando termos genéricos como “pseudo” ou “like”, para aumentar a consistência dos estudos e favorecer estratégias terapêuticas mais direcionadas. O tratamento deve ser orientado pelo fenótipo clínico, porém ainda necessita de maiores evidências, e pode incluir colchicina, anti-inflamatórios não hormonais, corticosteroides, medicamentos modificadores do curso da doença (MMCD) sintéticos e, em casos refratários, terapias biológicas, com destaque para inibição de IL-1 e IL-6. Conclusão: este artigo sintetiza evidências recentes e recomendações pertinentes para oferecer uma abordagem prática e atualizada da doença por CPPD, alinhada à padronização de classificação e terminologia das recentes diretrizes internacionais ACR/EULAR (2023) e G-CAN (2025).
Unitermos
CPPD; cristais de PPC; pseudogota; condrocalcinose; artrite por cristais; doença por depósito de pirofosfato de cálcio.Correspondência: Roberta de Almeida Pernambuco, e-mail: [email protected].
Como citar este artigo: Sachs IAP, Haddad LL, Pernambuco RA. Doença por depósito de pirofosfato de cálcio (CPPD): critérios de classificação, fenótipos clínicos e perspectivas terapêuticas. Rev Paul Reumatol. 2025 out-dez;24(4):34-41. DOI: https://doi.org/10.46833/reumatologiasp.2025.24.4.34-41.
Os autores não contaram com apoio financeiro.
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