A Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR) realizou, entre os dias 14 e 16 de maio, o 32º Encontro de Reumatologia Avançada (ERA 2026), no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Reconhecido como um dos principais encontros científicos da especialidade no Brasil, o evento reuniu reumatologistas, residentes e profissionais da saúde de diversas regiões do país em uma programação voltada à atualização científica, discussão prática e troca de experiências.
Com o tema central “Saúde da Mulher”, o ERA 2026 promoveu debates sobre fertilidade, gestação, lactação, menopausa, sexualidade, terapias imunológicas e novos desafios no manejo clínico de pacientes reumatológicos.
Na cerimônia de abertura, a diretora científica da SPR, Nádia Emi Aikawa, destacou que a proposta da programação foi unir ciência de ponta e aplicabilidade clínica. “A grande maioria das doenças reumatológicas acomete mulheres, especialmente em fases importantes da vida, como adolescência, idade fértil, gestação e menopausa. O programa foi pensado exatamente para trazer discussões que façam diferença no dia a dia do consultório”, afirmou.
A presidente da SPR, Danieli Castro de Oliveira Andrade, ressaltou a representatividade feminina dentro da especialidade e no próprio congresso. “Hoje, 62% dos associados da Sociedade Paulista de Reumatologia são mulheres. Na Sociedade Brasileira de Reumatologia, esse número chega a 68%. E, neste evento, aproximadamente 70% do público é feminino”, comentou.
Também presente na abertura, a diretora científica da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Licia Maria Henrique da Mota, destacou a identidade científica do encontro. “O ERA reúne excelência científica, discussão crítica e temas que apontam diretamente para o futuro da especialidade e para os caminhos que a Reumatologia está construindo”, destacou.
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, ressaltou o alcance nacional do evento. “Embora seja organizado pela Sociedade Paulista, basta olhar para a plateia para perceber que o ERA se tornou um evento nacional, reconhecido pela qualidade do seu programa científico”, disse.
Entre os temas discutidos na programação, a sexualidade nas doenças reumáticas ganhou destaque em palestra ministrada pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo. A especialista alertou para a alta prevalência de disfunções sexuais entre pacientes com doenças reumáticas e para a necessidade de abordar o tema nos consultórios.
Segundo a médica, até 70% das mulheres e 50% dos homens com doenças reumáticas podem apresentar alterações relacionadas à sexualidade, seja em decorrência da própria doença ou dos tratamentos utilizados. “Muitas pacientes esperam que o médico pergunte sobre isso, mas o tema ainda é pouco investigado por constrangimento ou insegurança dos profissionais”, explicou.
A programação científica também abordou temas relacionados à gestação e lactação. O reumatologista Felipe Grizzo participou de uma sessão dedicada ao tema, discutindo osteometabolismo durante a gestação e o período de amamentação, além das particularidades fisiológicas desse processo.
Outro destaque do encontro foi a discussão sobre os avanços terapêuticos na Reumatologia. Para a reumatologista e congressista Maria Vianna, a especialidade vive uma transformação acelerada impulsionada pelo avanço das terapias imunológicas e celulares. “A velocidade do conhecimento aumentou enormemente. Hoje temos terapias que estão mudando completamente a evolução das doenças e proporcionando benefícios muito maiores aos pacientes”, afirmou.
Como atividade de encerramento, o congresso promoveu a “Guerra dos Sexos”, dinâmica interativa inspirada no clássico formato televisivo, que reuniu os participantes em uma proposta leve e descontraída para discutir temas da prática reumatológica, diferenças de percepção clínica e situações do cotidiano da especialidade.
Ao longo dos três dias, o encontro reuniu especialistas brasileiros e convidados internacionais em sessões científicas, mesas-redondas, debates clínicos e atividades interativas, reforçando o compromisso da SPR com a educação médica continuada e com a atualização científica da Reumatologia brasileira.
- Foto: Sociedade Paulista de Reumatologia/Alex Deitos
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