vol 13, n. 4 - out./dez. 2014
Editorial
Imunobiológicos e tuberculose
DOI: https://doi.org/10.46833/reumatologiasp.2014.13.4.5Desde meados de 2014, os reumatologistas brasileiros enfrentam a indisponibilidade do teste cutâneo tuberculínico (PPD) nos sistemas público e suplementar de saúde. O teste é formalmente recomendado no Brasil para rastreamento de tuberculose latente antes do início do tratamento com imunobiológicos. A produção mundial da tuberculina foi afetada e no momento não há previsão para normalização da oferta. Essa ocorrência gerou controvérsias quanto à abordagem da tuberculose latente nesse grupo de pacientes, reabrindo discussões sobre a real eficácia do esquema de screening e métodos diagnósticos alternativos.
Nesse contexto, buscamos compilar os aspectos principais da correlação estreita entre o tratamento com imunobiológicos e a tuberculose. Para tal, consideramos conveniente também incluir uma análise do panorama geral da tuberculose no Brasil e no mundo, elaborado por infectologistas especialistas na área.
Inicialmente, abordamos a situação atual da tuberculose e o impacto das medidas globais de combate à doença propostas pela ONU. Complementamos essa análise com aspectos referentes ao diagnóstico e tratamento da tuberculose latente, com ênfase nos métodos diagnósticos disponíveis e suas particularidades.
Em seguida, apresentamos uma revisão da casuística brasileira de tuberculose em pacientes reumatológicos, baseada em dados recentes do Registro Brasileiro de Biológicos (BiobadaBrasil). Os resultados apresentam importância fundamental para caracterizar o perfil dos pacientes brasileiros e aprimorar a avaliação do risco em nosso meio.
Revisamos ainda as bases imunológicas do risco de tuberculose com uso de biológicos, claramente elucidadas na literatura médica para os anti-TNFs, porém, ainda controversas em mecanismos de ação independentes dessa citocina.
Concluímos a discussão com um resumo sobre as recomendações gerais para rastreamento e tratamento de tuberculose latente em pacientes candidatos a terapia biológica, com base nas recomendações recentes da Sociedade Brasileira de Reumatologia diante do desabastecimento de tuberculina no mercado mundial.
Esta edição pretende apresentar uma atualização abrangente e ainda assim concisa, visando a oferecer o melhor nível de evidência científica disponível para nortear as decisões do dia a dia.

Karina R. Bonfiglioli
Reumatologista assistente do Ambulatório de Artrite Reumatoide e do Centro de Dispensação de Medicações de Alta Complexidade (CEDMAC) – Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Doutora em Reumatologia pela FMUSP
E-mails: [email protected], [email protected]
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